segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Dragon Quest: Your Story e a Sua História

(TEM SPOILERS! CASO QUEIRA LER ESSE TEXTO DEPOIS DE ASSISTIR, FIQUE A VONTADE, MAS NÃO DEIXE DE SALVAR SEMPRE QUE POSSÍVEL) 

(ESSE TEXTO TEM UMA OPINIÃO PESSOAL SOBRE A OBRA, CHEGA MAIS SE TIVER DÚVIDAS, RECLAMAÇÕES OU OFENSAS SOBRE O ROLÊ)

Eu nunca joguei algum Dragon Quest na minha vida.

Minha vida gamer, por assim dizer, viveu cheia de Final Fantasy e outros RPGs menores que jogava numa locadora que ficava perto de casa. Final Fantasy 7 por exemplo, eu acabei numa locadora, depois de várias dezenas de horas e muitos Memory Cards que seguraram o tranco por muito tempo.
Só descobri que Fly, que passava nas saudosas manhãs de sábado no SBT, tinha algo a ver com Dragon Quest muitos anos depois e isso não mudou minha vida de maneira alguma. E hoje assisti Dragon Quest: Your Story pela Netflix...Que só descobri depois de uma pesquisa rápida no Google, que o longa adapta Dragon Quest V, de 1992. Nada ainda. Mas antes de sair bufando por não ter sentimentos pela franquia, continua comigo mais um pouquinho, me deixa falar sobre Your Story.


Esse longa conta a história de Luca, que luta contra as malignas intenções do Bispo Ladja, enquanto cresce, evolui, herda vontades e cria grandes aliados num mundo medieval fantástico, tudo característico da série Dragon Quest. Uma aventura que você como espectador acompanha desde Luca menino até adulto. Ele se casa, tem um filho... Mas tudo isso poderia ser só mais uma aventura genérica que os mais apressadinhos podem desistir de acompanhar, procurando histórias mais inovadoras ou diferentonas na plataforma de streaming.

 Todo o visual do longa é bem bonito, acompanhando a evolução gráfica da própria série de jogos, e as músicas fazem menções a coisas dos jogos, a música de triunfo ou uma melodia mais triste podem ser coisas que fãs mais ardorosos consigam identificar. Eu conheço uma ou outra coisinha advinda de trailers de eventos como a E3 ou coisas da internet. A história é bacana e acompanhar Luca durante os anos que ele passa se aventurando por aí é bem interessante, pelo menos pra mim que não tem relação alguma com locais, referências, monstros ou conceitos daquele universo, mas que tenho curiosidade de explorar as coisas junto do personagem principal da animação.

 Já me deixe também falar sobre a dublagem que ficou boa, e me deixou dentro de tudo que acontecia sem destoar os maneirismos, ou modo de falar dos personagens em sua língua natal. Termos e nomes para mim não soaram ruins e eu gostei das coisas que aprendi ouvindo tudo no bom e velho pt-br.


Mas nada disso me chamou a atenção depois que acabei de assistir. Estou aqui escrevendo este texto imediatamente depois de ver Dragon Quest: Your Story. Ele tem um fator que me surpreendeu, lá em seus 45 do segundo tempo, quando o vilão finalmente é derrotado e tudo se colocava a caminho do final feliz da saga de Luca. Por isso, avisei lá em cima sobre Spoilers. É realmente algo inesperado...

[DESCRIÇÃO] A grande ameaça que permeava o mundo foi selada pela espada Zaneciana, lançada pelo filho de Luca, esse sim o herói da luz que profecias antigas esperavam,e enquanto o menino caia de volta para os braços de Luca, tudo a volta do personagem para subitamente, pessoas, vento, tempo, tudo para e um enorme pilar cinza desce, com ele um ser (que na primeira impressão poderia ser o mal que todos sempre falavam, e o visual corrobora pra isso), mas ao invés de palavras ameaçadoras ou de gratidão maldosa, o ser começa a dar comandos que, pessoalmente eu não havia entendido inicialmente, porque são sem contexto com o que você havia visto até aquele momento, mas segundos depois, assim como o personagem, atordoado com aquilo e vendo tudo se desfazer de maneira cinza, deixando somente Luca e o misterioso ser numa realidade branca e vazia. Somos finalmente confrontados com o que aquilo é: um vírus.


Nosso aventureiro Luca, não é nada mais que um jovem que estava jogando Dragon Quest, num aparato tecnológico de realidade virtual, bem interessante visualmente diga-se de passagem, aí então temos um flashback, mostrando o jogador iniciando sua aventura, enquanto o vírus dentro do jogo se justifica, ridicularizando a aventura e toda história que (como agora sabemos, jogador) viveu até aquele momento. Com uma mensagem direta ao jogador: Vê se cresce, babaca! Luca é a última resistência, a última coisa que sustenta aquela realidade.

E foi aí que me surpreendi.

Ver as cenas do jogador na frente da tv no mundo real, jogando os jogos num Super Famicon, depois mais velho segurando um controle claramente de Playstation, enquanto confronta no jogo, com todas as suas forças o vírus, dizendo sobre o valor que aquelas histórias têm para ele, que mesmo sendo dados, mesmo sendo informações contidas num cartucho/cd/dvd/bu-ray ou que quiser, aquilo, para ele foi/é real, foram/são horas reais e as aventuras, aliados e perdas foram/são sentidas.

Aquilo me acertou no estômago, me fazendo lembrar dos dias que ia para a ENAJE Games (saudade), e jogava Final Fantasy 7, em que acompanhei Cloud e Cia tentando salvar o mundo, e como quilo foi mágico e real pra mim... Todo aquele sentimento foi evocado nesse momento e, sem pieguice, eu me coloquei do lado de Luca, ali. Ao receber a última benesse e finalmente expurgar o vírus, restaurando o jogo e tendo seu merecido e consciente final feliz.

O grande trunfo de Dragon Quest, é a sua história com os Jogos, jogos com J maiúsculo. A SUA (você mesmo, lendo agora) ligação com mundos tão distintos, personagens únicos e eventos fantásticos, horas e horas junto daqueles seres que se tornam parte de sua realidade, tanto quanto você é para os personagens por meio de suas ações. Se você tem os jogos da série como referência, você tem um monte de coisas que vão aparecer e te fazer rir, chorar ou sentir saudade.


Se você, assim como eu não tocaram jogos da franquia, esse momento metalinguístico recompensa. E mesmo quem não tem relação alguma pode se divertir com a história, que na minha visão é simples (talvez um pouquinho corrida demais para um longa) e traduz bem o que é uma história de RPG clássico como Dragon Quest é.

Dragon Quest: Your Story, é uma animação competente, com uma história simples mas que não deixa de ser divertida e que sabe pra quem está sendo contada. E que independente de franquias, marcas, consoles ou preferências pessoais, também de forma lúdica é minha, sua e a história de todos que já jogaram RPGS, ou mesmo Jogos, com J maiúsculo.

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