quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O Tosco Honesto de Velocipastor

(TEM SPOILERS! OU PELO MENOS A INTENÇÃO ERA ESSA... APROVEITE PARA VER O FILME ANTES DE CONTINUAR, QUE TAL?)


Velocipastor é um "média metragem", com suas 1:15h de duração, e bem... é algo complicado de se explicar sem parecer bobo, e acredite que o é. Então vamos pegar a sinopse do filme para nos ajudar nesse árduo trabalho de entender esse obscuro-mas-agora-meme-filme:

Após a perda de ambos os pais, um padre viaja para China, onde herda um misterioso amuleto que o permite se transformar em um dinossauro. Inicialmente aterrorizado pelo seu novo poder, ele conhece uma garota de programa que o convence a usar este dom para enfrentar o crime. E ninjas.

E ninjas, são o minimo aceitável e normal nessa sinopse, acreditem.

Velocipastor é uma produção de 2018, e tem uma honestidade crua, uma sinceridade em se assumir como tosco que é tocante, e não só uma série de tentativas sucessivas de piadas ruins uma atrás da outra, como N filmes tentam desde Todo Mundo Em Pânico. A produção assume suas limitações desde a primeira cena que é a morte dos pais do padre Doug (interpretado por Greg Cohan) e ao invés de inúmeros efeitos especiais, só um letreiro aparece na tela, descrevendo o efeito de fogo e explosão.

Após a "trágica" morte dos pais do padre Doug, ele vai numa viagem até a China (que nada mais é que um matagal), onde uma garota chinesa está sendo perseguida e é acertada no peito com uma flechada e que agonizando entrega uma misteriosa pedra a Doug, pedra essa que corta a mão de Doug e fatalmente o transforma num dinossauro durante a noite, ou quando ele está estressado, ou quando a história pedir que aconteça. Mas não muito... porque é complicado. E é de borracha, muita borracha envolvida, sim...


E não só nos efeitos ou defeitos especiais, nas próteses ou nos figurinos, mas tudo desde o roteiro, quanto a fotografia e a direção se propõem a brincar com os gêneros de filmes antigos e como contar essa história absurda da maneira mais estilizada e barata possível. E são bem sucedidos nisso.

O que é bom (?) e nos dá várias cenas, com closes dramáticos e iluminação colorida e exagerada, montagens que escalam para um verdadeiro clipe dos anos 80, tocando uma música inteira no processo. As músicas são interessantes, mas também não são obras primas, servindo a seu proposito no filme. E só. (!)

Mas avaliar tecnicamente esse filme é algo enfadonho, porque tudo converge ao tosco, tudo leva a produção barata, mas charmosa, que não te deixa bravo por ter sido enganado ao começar a ver Velocipastor. Eu pelo menos, não fico bravo quando a transformação do padre Doug se resume a duas luvas de borracha em forma de garras de dinossauro, ou das cenas nada coreografadas de lutas, com artes marciais jamais vistas no cinema, com direito a tropeções de ninjas e disso a ladeira abaixo. Ou quando uma conversa entre dois personagens é subitamente mostrada em closes, iluminados de maneira colorida e desnecessária, compondo um quadro estranho.


(Mas confesso que sou suspeito quanto a isso)

Eu prefiro pensar em Velocipastor como algo que funciona em seu próprio mundo, com suas regras e tosquice honesta, jogada na sua cara como espectador e te convidando para acompanhar aquilo tudo, naquela aventura quase infantil, com ninjas e dinossauros, padres ex-combatentes do Vietnam e cafetões extremamente afetados.

Tudo isso funciona dentro da sopa de letrinhas, que para aqueles que tem o paladar apurado, é algo meio sem sal sim,  mas que é bacana como distração dos grandes banquetes visuais e sair dos planos e produções complexas Hollywoodianas. Ele é algo feito para quem curte o trash, quem quer desligar o cérebro por 75 minutos, é algo para apreciar o tosco honesto. Amém!

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