quarta-feira, 11 de março de 2020

A Cor Que Caiu do Espaço e a Capa

(ESTE TEXTO TEM SPOILERS, PORTANTO CASO QUEIRA CONFRONTAR OS HORRORES CÓSMICOS DO FILME E DO CONTO, ANTES DE LER ESTE TEXTO, VOCÊ É MAIS QUE CONVIDADO A FAZÊ-LO)


A Cor Que Caiu do Espaço é um filme de 2019, com Nicolas Cage e sendo uma adaptação do conto de mesmo nome, de H.P. Lovecraft, escritor dos Mitos de Ctulhu e do horror cósmico. Muitas vezes as pessoas tem impressões precipitadas sobre uma obra cinematográfica quando ator X ou atriz Y participam do longa. O velho julgar o livro pela capa... Depois de ter visto o filme, ter corrido atrás do conto e de ver algumas resenhas e opiniões de pessoas a quem indiquei o longa, tive a forte constatação que o filme ter Nicolas Cage era a primeira coisa levantada, o ator tem uma reputação de atuações exageradas e alguns bons filmes ruins.

Nicolas Cage não deveria ser o foco.

Ele é o pai da família Gardner, que está morando recentemente numa fazenda nos confins da Nova Inglaterra, se adaptando a uma vida menos corrida, fugindo do caos urbano e da hiper exposição tecnológica comuns hoje em toda cidade grande. São cinco integrantes da família, Nathan Gardner (Nicolas Cage), o pai da família, pintor e atualmente retomando a vida com sua criação de Alpacas, Theresa (interpretada por Joely Richardson), mãe da família e mulher dividida entre as ocupações em seus negócios, agora on line, e a família. A filha Lavínia (interpretada por Madeleine Arthur,e nossa protagonista no inicio da história), adepta de práticas mágicas e um pouco sensível a ameaça que paira sobre o local, o irmão Benny (interpretado por Brendan Meyer), que tenta ser responsável e cuidar dos irmãos, mesmo não sendo tão bem sucedido nisso e finalmente o irmão caçula Jack (interpretado por Julian Hilliard, que aparece também na série A Maldição da Residencia Hill).

Essa família aos seus trancos e barrancos tentam se adaptar a nova realidade, até que uma noite um meteorito cai nas terras dos Gardners, trazendo curiosidade e algo mais...


O meteorito tem uma cor, que não consegue ser descrita por ninguém que a vê, essa cor se entranha na terra e começa a mudar aos poucos a fauna e flora da fazenda, aos poucos os membros da família também são afetados e a influência daquela cor inominável aumenta, trazendo um desespero opressivo, uma desesperança crescente e... Nicolas Cage explodindo.

Não! Não literalmente! 

As coisas começam a sair de controle e tudo que ele estava construindo, sejam as plantações, as alpacas e até sua família, estavam se desfazendo diante de seus olhos por causa de algo que não podia ao menos ser descrito. Algo que não podia lutar contra. E sua explosão de raiva, desalento e frustração foi, pelo menos para mim naquele momento, algo que me aliviou. Sério...

Assistindo o filme até aquele momento (isso já lá pela metade) e tudo indo pelo ralo, enquanto Nathan se continha, sempre pensando positivamente, sempre pensando na família, em estarem juntos, em não repetir os erros de seu próprio pai e toda pressão que a própria cor exercia a sua volta, contaminando sua terra, sua água, sua família... Aquela explosão, por mais que seja a maneira Nicolas Cage, humanizou mais ainda Nathan Gardner.


A cor toma conta dos insetos, de pequenos animais, das alpacas, da grama, das árvores, da água, da mente, das vontades, do coração e das almas dos Gardners e de tudo que eles tinham, e ver esse processo durante o filme é algo muito interessante e visualmente incrível, a cor no filme é traduzida para nós espectadores pelos tons róseos e roxos que vão, cena a cena, tomando conta do lugar e das atitudes dos personagens nessa espiral de loucura. Os sons são colocados para incomodar e demonstrar o deslocamento daquele lugar com a realidade, os silêncios e momentos histriônicos jogados para trazer novas visões do terrível destino dos Gardners.

Os efeitos especiais retratando coisas muito fora do comum são competentes em não nos tirar do clima, sendo ou pontuais ou grotescos o suficientes para reforçar toda a loucura vivida ali.

A Cor Que Caiu do Espaço é um bom filme, uma boa adaptação do conto de Lovecraft, ele tem sua própria maneira interessante de mostrar o horror sem definição, tendo um elenco consistente que cria uma família cheia de falhas e crenças que vão sendo desmanteladas na sua frente... e tem um Nicolas Cage (já que precisamos falar) que se permite ser julgado por sua capa, mostrando um pouco mais de conteúdo no processo. Assista e aproveite.



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