quarta-feira, 4 de março de 2020

Tomando Banana Splits e a Infância Perdida

(TEM SPOILERS! SE QUISER ASSISTIR O FILME E VOLTAR DEPOIS, EU ESPERO COM UM BANANA SPLIT GELADINHO!)


Todos nós temos coisas que guardamos de nossa infância, sejam brinquedos, ou lembranças de coisas que fazíamos ou brincávamos e coisas que assistíamos na época. Eu mesmo tenho algumas boas lembranças da Xuxa ou de Rede Manchete com o boom dos animes na TV brasileira.
Bem, anos antes dessas coisas acontecerem, lá pelos idos de 1969 existia um programa infantil com um grupo de animais antropomorfizados que tinham uma banda, onde cantavam e dançavam, apresentando entre números musicais desenhos (hoje clássicos e difíceis de se ver por aí) da Hanna-Barbera.

Eles eram Os Banana Splits.

Eles protagonizavam o The Banana Splits Adventure Hour, que durava uma hora (sério) e teve 31 episódios com as aventuras e piadas do beagle Feegle, do gorila Bingo, do leão Drooper e do elefante mudo Snorky. Conversando com pessoas que assistiram e conheceram o programa na época, as crianças gostavam muito do grupo. E era algo que fez um aparente sucesso na época, mas depois de 31 episódios (foi transmitido originalmente de setembro de 1968 até setembro de 1970), muitas estripulias e desenhos, o show acabou para os Banana Splits.

Ou pelo menos era o que se pensava até 2019.

The Banana Splits Movie saiu direto para home vídeo e streaming, sendo uma reimaginação do programa, com uma mudança significativa e que me fez começar a:

1° querer ver o filme
2° saber o porque do filme existir

E essa mudança é: o gênero do filme, que é de terror/horror.

O filme tem a ideia que o programa continuou e faz sucesso até os dias atuais, sendo gravado não mais com atores fantasiados como os animaizinhos, mas com animatrônicos super sofisticados. (talvez você não tenha reparado em nada nessa frase, vou deixar algo claro: são autômatos programados para fazer atividades com crianças e que fora dos shows, ficam zanzando pelos lugares, como numa certa pizzaria com ursos e raposas e galinhas e... vocês entenderam). Uma diferença é o humano que acompanha a trupe mecânica nos programas, o Steve (que declaradamente é tão sem sal que ninguém realmente se importa e ele tem consciência disso, se afogando na bebida pra compensar a situação).


Resumidamente a história do filme é: sobre um menininho que gosta demais, DEMAIS dos Banana Splits e ganha de seus pais uma visita às gravações do programa. Coincidentemente, acontecem algumas decisões no minimo duvidosas e alguns plots bem forçados que transformam nossos amiguinhos em assassinos seriais. E dramas familiares beeeeem passáveis.

Eu queria muito ficar listando todos os furos de roteiro desse filme, juro que queria. Devo confessar que no momento em que você está lendo exatamente esta PALAVRA, eu acabei de apagar dois parágrafos inteiros com furos monumentais do roteiro. Mas o foco não é esse...

The Banana Splits Movie não é excelente, nem ao menos entra na média se você for alguém exigente quanto a filmes que assiste. O filme em si, diverte mais que assusta, tem um clima bacana e os cenários são bem variados, graças à história se passar dentro dos estúdios onde são gravados os programas dos Bananas. Existem mais personagens, que são os alvos dos robôs assassinos. Em sua maioria, personagens que não tem muito peso e quando tem peso eles são desperdiçados. Músicas, roteiro, atuações, estão todas... ok. Mas esse filme me fez ver uma reação não tão incomum por aí. A decepção revoltosa. Aquela reação que vem acompanhada com frases tristes e um toque de nostalgia destruída pelo produto mais recente. Isso aconteceu com Thundercats, She-Ra, com Sonic, e olhando algumas resenhas e opiniões sobre The Banana Splits Movie, com os Bananas.

Eu realmente não imagino como o programa infantil foi se tornar um filme de terror muitas décadas depois e qual caminho foi feito e que conversas aconteceram para criar este filme. Presenciei algumas reações tristes, algumas legitimamente decepcionadas, alguns críticos desgostosos e maldizendo o longa. Entendo que a banda de animais fez parte da infância dessas pessoas e que existem lembranças ancoradas a imagem do grupo. Mas quanto aquela ideia é nossa pelo viés da nostalgia? O quanto nós temos de conceder em favor de releituras de coisas que fizeram parte de nossa infância?


Nossa infância ou lembranças são invioláveis? Nossas nostalgia é sagrada? Apesar de ser um produto bem abaixo do razoável para um filme de terror, The Banana Splits Movie, cumpre o objetivo de divertir. Ele traz elementos do programa de 68, músicas e atrações que fazem quem conhece se sentir feliz revendo aqueles personagens. Mas logo depois da metade ele liga um botãozinho e se transforma no filme medíocre de horror. Ele atualiza e tenta agradar sem ser de fato agradável, quando se leva em conta a qualidade, mas ele é simpático sob as luzes certas (e em algumas erradas também).

Agora imagina só... um filme de terror baseado em Castelo Rá-Tim-Bum?

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